Já faz algum tempo, mas como eu comentei antes aqui sobre o iPhone OS 4, queria comentar isso também.

Junto com o anúncio do iPhone OS 4, que trouxe excelentes novidades, como o tão desejado multi-tasking, veio também um grande banho de água gelada da Apple em muitos desenvolvedores.

A partir do iPhone OS 4.0, os termos para os desenvolvedores de aplicativos para essa plataforma determinam que todos os aplicativos devem ser desenvolvidos em Objective-C, C, C++ ou JavaScript. Aplicativos desenvolvidos em outras linguagens ou que usem qualquer camada adicional são proibidos.

Essa decisão causou revolta geral entre os desenvolvedores, principalmente os que não usam as ferramentas da Apple (Xcode e Objective-C), mas também teve gente defendendo.

Qual a justificativa da Apple? De uma forma bem simplificada, eles querem que os aplicativos para iPhone e iPad sejam sempre nativos, garantindo assim uma suposta qualidade nos apps da plataforma. Mas todo mundo sabe que app nativo não garante nenhuma qualidade.

Muita gente acha que foi um ataque direto a Adobe, que estava pra lançar uma ferramenta cross-platform para rodar apps em Flash no iPhone e outros celulares. Mas isso também diminui as chances de vermos um Delphi para iPhone, algo que não parecia muito longe de acontecer, uma vez que o próximo Delphi já vai compilar para MacOS. Inclusive ficou bem claro que a Embarcadero tinha planos nessa direção, pois o Allen Bauer chegou a publicar a revolta em seu blog, mas depois retirou.

Mas nem tudo parece estar perdido. A Novell não reduziu os esforços no MonoTouch, que permite desenvolver aplicativos para iPhone e iPad usando C# e .NET. Inclusive eles já lançaram uma nova versão com suporte ao iPhone OS 4 e estão confiantes que não terão problemas com a Apple.

Mas esse assunto ainda vai dar muita polêmica. A Apple já está sendo investigada por essa mudança e pode enfrentar processos na justiça.

Todo mundo adora detonar a Microsoft, mas agora que a Apple é dona dessa plataforma tão bem sucedida (iPhone OS), não vejo muita diferença nas atitudes dela para garantir a continuidade da liderança.