O evento ocorreu no dia 18/11. Chegamos ao UNISAL Campinas faltando poucos minutos para as 09:00, hora marcada para o início do evento. A anfitriã do evento, Borland, chegou com 15 minutos de atraso, e o evento acabou começando com 25 minutos de atraso.

O “showman” foi o Adail Retamal, que conheci na Borcon deste ano, e que é um bom palestrante. Certamente a fantasia de “Clark Kent” que ele usava deu um ar de comédia ao início do evento, e valeu a brincadeira. Ele estava com uma jaqueta preta da Borland e a abriu no peito como já conhecemos nos filmes, mostrando o logo do “Super Delphi”, o Delphi 2005. Confesso que não achei a camiseta muito bonita, a Borland certamente poderia ter caprichado melhor no desenho, pois ficou bem simples.

Como sempre, o início foi pela história do Delphi, desde o Turbo Pascal, e todo aquele blá, blá, blá de evolução. Win16, Win32, etc. Depois ele entrou no ALM, explicando novamente a abordagem da Borland para o ciclo de vida do gerenciamento de software.

Finalmente depois de 30 minutos de palestras, chegamos ao ponto de interesse, o novo Delphi 2005, que até pouco tempo era apenas conhecido como Diamondback. Pra quem já vem acompanhando as noticias sobre ele no site da Borland ou nos blogs espalhados pela Internet, praticamente não viu nenhuma novidade, mas a maioria do público ali, realmente não conhecia a nova ferramenta.

Logo no início o Adail mostrou que podemos agora programar não somente usando a linguagem Delphi (sim, esse é o novo nome do object pascal), mas também em C# e acreditem ou não, alguma coisa em VB.NET também é possível compilar dentro do Delphi 2005.

Um dos novos recursos presentes no Delphi 2005, é o suporte integrado no IDE a testes unitários, prática interessantíssima para quem usa orientação a objetos e tema da minha palestra esse ano na Borcon. Para demonstrar esse novo recurso, o Adail mostrou a todos como é importante começarmos a pensar em objetos, modelar nosso aplicativo voltado para objetos e realmente tirar proveito dessa tecnologia tão antiga mas muito pouco explorada pela maioria dos programadores Delphi. O projeto de exemplo era uma calculadora, e ele criou uma classe para fazer os cálculos e testá-la usando testes unitários, mesmo antes de pensar na interface com o usuário (GUI). Essa abordagem adotada pela Borland, na minha opinião, é de extrema importância para que os programadores acordem para essa realidade e entendam como isso pode facilitar a vida deles.

A maioria dos desenvolvedores Delphi são meio acomodados, e muita coisa interessante acaba passando despercebida por eles. Um ótimo exemplo foi que durante a palestra o Adail usou o recurso de completar a classe (Ctrl+Shift+C), já presente há alguns anos no Delphi e a maioria não conhecia, pois todos soltaram um alto suspiro ao ver isso na apresentação.

Dentre os novos recursos do Delphi 2005, os mais interessantes são na área de refactoring. Find unit, rename class, declare variable, extract method, entre outros. Claro que o SyncEdit também é um show, pois permite que você edite identificadores de um trecho de código todo ao mesmo tempo.

Agora também é possível visualizar o diagrama de classes UML do seu código em tempo real, porém ainda não é possível editar o modelo. Isso será possível somente com o novo Together, que deve sair no primeiro semestre de 2005, conforme o Adail.

Outro recurso fantástico é o History, que é uma ferramenta simples para controle de versão dentro da IDE. Lhe permite ver todas as mudanças que você fez no código, desfazer as alterações a qualquer momento. Mesmo para quem já usa uma ferramenta externa de controle de versão, é um recurso útil para comparações rápidas entre os check-ins e check-outs.

Durante a apresentação, houveram muito poucos problemas. Um erro na integração com o StarTeam e mais dois erros durante a utilização do Data Explorer, que alias, também traz recursos interessantes, como a possibilidade de copiar e colar tabelas entre bancos diferentes. Isso lhe permite copiar uma tabela de um banco SQL Server por exemplo e colar no Firebird. Todos os dados também são transferidos. Ou ainda o Data Migration, que permite migrar dados de um banco para outro qualquer.

Na seqüência foi demonstrado um pouco de ASP.NET, que alias, é um dos fatores responsáveis pela minha frustração com o Delphi 8. Até hoje, acreditem ou não, não consigo criar um simples projeto ASP.NET no meu notebook. Informei inclusive a Borland EUA sobre o problema, e a resposta que tive foi que o bug era conhecido, mas era raro e como não afetava muitas máquinas, não seria corrigido. Que bom, né? Espero que no Delphi 2005 isso esteja corrigido e eu finalmente consiga usar ASP.NET no Delphi.

Também foi apresentado o ECO II (Enterprise Core Objects), a nova tecnologia da Borland para modelagem de sistemas. Com ele você realmente trabalha apenas com objetos, sem se preocupar como eles serão persistidos no banco de dados. Você modela toda sua aplicação no ECO usando UML e indica onde você quer persistir seus dados, ele cuida do resto. É algo realmente muito interessante que pretendo estudar com calma no futuro. Inclusive a Borland alega que o Delphi 2005 com o ECO, é o primeiro produto comercial a suportar a OCL (object constraint language).

Para quem gostou, o Delphi 2005 já está em pré-venda na loja virtual da Borland, e a caixinha do produto estará disponível a partir de 15/12. Mas o trial já está disponível no site da Borland.

O coffee-break deixou um pouco a desejar. Como nossa prioridade nestes eventos é sempre o coffee-break, a Borland poderia ter caprichado um pouco mais. O local também era bem simples, com cadeiras de plástico, mas o importante é que quem não conhecia o novo “Super Delphi”, definitivamente saiu com uma boa imagem de lá.